quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Aquele abraço

O Rio deixa saudades, se na juventude eu podia chegar em casa de madrugada, cantarolando algum sucesso de Bethânia, hoje, a cada passo desencontrado, esbarrão ou olhar de lado, já penso em mudar de calçada. Hoje, quase todas as ruas têm seguranças, e pagamos para nos assegurar deles mesmos. Hoje não temos medo de assombração, mas do apagão, que é quase um ente com visita marcada. Onde estou eu, onde está você? Trancados em casa, no shopping, no carro, no trem, ônibus ou no avião? Ou atrás de um monitor? Hoje semi-durmo desperta, procurando um alarde que me faça correr, minha janela já traz as marcas da cidade maravilhosa atravessada por uma bala do Alemão. Quase não ando à noite, pois acho que estou sendo seguida, mesmo que por minha sombra. E se me dão boa noite, desconfio da intenção. A cidade parece incendiar. E você vai dizer que temos o mar, as belezas naturais, mas temos uma avenida de cimento e terra que corta muitos bairros e favelas, que leva à Baixada e à Serra e que não cabe no cartão postal do Brasil.