quarta-feira, 30 de junho de 2010

A princesinha do mar

Me sinto uma estrangeira neste bairro, à noite quase não saio, por vezes tenho rompantes de andar e resolver coisas, mas na volta me inclino na calçada e procuro seguir as portarias de prédios e entradas de lojas. Caso tenha que despistar os olhos que enxergam o meu medo, me imagino invadindo portarias e pedindo para ficar só por alguns minutos, até o susto passar, o surto, o sujeito. Ranzinza e curva vou constituindo um outro ser, de olhar arregalado, boca inconformada mordendo os beiços, unhas carcomidas pelo pouco tempo e mãos frias. A pele pálida de um bege seco, o corpo magro e também gelado vai se agitando pela cidade que parece devorar dia-a-dia todos os meus desejos.

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